D. Luciano foi um dos maiores profetas desse nosso tempo, sempre ao lado dos pobres, dando toda a sua vida àqueles e àquelas que sempre estiveram à margem da sociedade: encarcerados, mulheres marginalizadas, menores de rua, sem-teto, sem-terra, em fim, todos e todas os que foram esquecidos pela sociedade. Esteve por muitos anos atuando na Arquidiocese de São Paulo, mais precisamente na Região Episcopal Leste I (Belém) e mais tarde assumiu a arquidiocese de Mariana em Minas Gerais.
Recentemente (anos de 2004 e 2006) tivemos a graça de ter sua presença em nossa Arquidiocese de Campinas na Escola da Fé da paróquia de Santa Luzia (Jd. Novo Campos Elíseos) e no 8º Encontra Nacional da Pastoral da Juventude do Brasil, realizado em janeiro deste ano.
Na paróquia de Santa Luzia nos contava da dificuldade do povo sofrido de sua arquidiocese e de como era difícil tentar mudar a sociedade para que a pobreza e a desigualdade não mais existissem. O principio básico de uma Igreja que tem uma Espiritualidade Libertadora é “estar ao lado daquele que sofre”, dizia ele bravamente. Neste ano, reunido com a juventude de todo o Brasil, contou uma de suas velhas histórias de vida, a respeito de um amigo estrangeiro que veio lhe visitar e gostou do artesanato de pedra-sabão, originário de Mariana, e levou um vaso consigo para a Europa, mesmo sobre o seu conselho de que o objeto poderia quebrar no meio da viagem, pois era muito frágil. Dito e feito, depois do regresso do amigo, esse telefona para D. Luciano e comunica-lhe que o vaso quebrara em vários pedacinhos, mas que ele estava ainda mais bonito, pois ele o colou e tudo virou um grande mosaico.
Nosso arcebispo Luciano foi assim, homem frágil e debilitado por acidentes e algumas enfermidades, mas cada vez que se recuperava mostrava-se ainda mais forte, fazendo valer as palavras de São Paulo: “É quando me sinto fraco que sou forte!” Seu testemunho sempre foi esse mosaico de peças que somadas resultavam na linda e comovente história de um homem, como nós, mas que ao contrario de muitos exemplos de hoje, teve coragem de pensar no outro. Esse é o grande desafio do século XXI!
Rezamos para que surja em nossa sociedade e em nossa Igreja Católica, em especial no episcopado brasileiro, homens, e também mulheres, como D. Luciano Mendes de Almeida. A morte jamais vence a vida, essa é a fé que professamos através de Jesus Cristo que ressuscitou dos mortos, e por isso ela jamais calará esse profeta, grande catequista da humanidade, que parte no Dia do Senhor.
“Tudo em nome do Senhor”, esse era o seu lema, e de agora em diante deve ser o nosso, especialmente da juventude da América Latina, que deve a ele e mais alguns poucos bispos a opção preferencial da Igreja Latino-Americana: “Opção preferencial pelos pobres e pelos jovens!”, a qual D. Luciano sempre fazia questão de recordar.
Jonas e Dom Luciano em visita à nossa arquidiocese.